Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O MUFA- VIVER AFRICA





O MUFA

 Chegar a África e iniciar a sua estadia nos confins do mundo neste caso na missão de Boroma para quem conheceu era mesmo nos confins do mundo, mais ou menos pelos anos 1940 realmente foi um inicio complicado.

Homem baixo encorpado simples no seu fato de caqui e capacete colonial, sempre de sorriso na cara.

Foi ensinar aquele povo a arte de carpintaria durante algum tempo.

Anos depois foi para Tete trabalhar, já reunido com a família que viera da Metrópole, para complementar o seu pé de meia tinha  uma machamba * "No Mufa" para onde se deslocava semanalmente ao sábado e regressava ao domingo
.
Homem trabalhador, foi criando o seu mundo de posses de manadas de gado, e uma machamba onde colhia todos os frescos e fruta que abastecia o comercio em Tete.

Amou aquela terra onde já conhecia todos e tinha bastantes amigos, fosse nas cantinas das estradas para o Mufa onde havia sempre à espera a fresquinha  cerveja enquanto conversava com os donos , fosse nas gentes locais que sempre prontos o ajudavam atravessar a velha ponte de madeira quando a chuva enchia o rio "chimadzi". 

A velha carrinha Ford nunca o deixou apeado, dizia-se mesmo que ela já sabia ir e vir ter a casa sozinha tal os anos que a possuia e fazia aqueles caminhos.

A Machamba* era junto ao rio, onde um motor puxava a agua para a rega das culturas.

Também  naquele imenso areal se passava bom tempos em banhos "a medo" dos jacarés ou estendido ao sol mais que não fosse para "curar" alguma coisa .



 Ficou famoso pelos belos petiscos que ao domingo fazia, numa panela assente em pedras onde debaixo crepitava o fogo.


Fosse pelos amigalhaços que apareciam chamados pelo cheiro do bom petisco fosse pelo passeio,era raro o domingo que aquela estrada da entrada não estivesse cheia de carros.

As caçadas que fazia noite fora ,às feras que lhe atacavam o gado pela calada, ou jacarés que muitas vezes faziam vitimas humanas, eram famosas.

Depois, havia que exibi las em fotografias que mais tarde recordava, como é agora o caso.

Claro no meio de tudo isto lá aparecia uma “goma” ou uma “gazela” que alimentava quem o rodeava, e ainda dava para levar para casa onde belos bifes eram confeccionados, ou o petisco nesse dia era esse mesmo.
Pic nic em Boroma

Uma vida trabalhosa mas gostosa, dava-lhe prazer aqueles fins de semana quando regressava a casa com a velha carrinha Ford onde o tabuleiro com as alfaces vinha colocado no tejadilho da mesma e na carroceria os restantes tabuleiros com os outros frescos e fruta colhida naquele seu canto de fim de semana.

Dos meus amigos de Tete sabem bem mais de historias que eu, caso me ajudem a descreve-las neste meu blog colocarei para completar a historia de um homem que foi amigo de todos.

Que descanse em Paz da vida turbulenta que levou mas que é agradavel recordar.

(machamba -horta)
(guínhasse) - empurrasse

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