Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

TEATROS



A cidade era pequena apesar de para todos nós ser a maior, nada havia que valesse as pena vestir vestidos lindos, alguns com cheiro a naftalina nem os cavalheiros tirar o calção de caqui ou ganga e blusão colonial, e colocar uma gravata.

Na minha memoria ficou aqueles pescoços amarrados a sair das camisas transpiradas num sacrifico de se lhe tirar o chapéu.

Era no ar condicionado que se refastelavam descansando do aperto a que foram obrigados pelas esposas bem aperaltadas.

De quando em vez entre poucos mas bons momento momentos, alguém ensaiava umas peças de teatro que com a devida vénia era apresentada num silencio da plateia, com alguns risos contidos quando o guião o obrigava.

Nos fundos daqueles baús maravilhosos que há anos estão verdadeiras pérolas esquecidas lá vai aparecendo umas foto maravilhosas que aos novos nada dizem mas aos mais velhos fazem chegar aquela lágrima no canto do olho.

É certo que por ai já havia uma foto de um desses teatros no entanto chegou-me as mãos mais que vou ter o prazer de aqui relembrar.

E como gostaria que me chegasse mais e mais fotos com historias., afinal de um passado vivido por muitos de nós, apesar de eu ainda não estar nesta juventude.

Acho que eram feitos ainda no salão de festas do colégio, ao que fico a espera que alguem complete a informação que ainda me falta.
e o salão enchia.


Estas são as fotos quer me chegaram, note-se com mais de meio século, não sei se estão por ordem.










Alguma informação que me chegue completarei esta recordação

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O MUFA- VIVER AFRICA





O MUFA

 Chegar a África e iniciar a sua estadia nos confins do mundo neste caso na missão de Boroma para quem conheceu era mesmo nos confins do mundo, mais ou menos pelos anos 1940 realmente foi um inicio complicado.

Homem baixo encorpado simples no seu fato de caqui e capacete colonial, sempre de sorriso na cara.

Foi ensinar aquele povo a arte de carpintaria durante algum tempo.

Anos depois foi para Tete trabalhar, já reunido com a família que viera da Metrópole, para complementar o seu pé de meia tinha  uma machamba * "No Mufa" para onde se deslocava semanalmente ao sábado e regressava ao domingo
.
Homem trabalhador, foi criando o seu mundo de posses de manadas de gado, e uma machamba onde colhia todos os frescos e fruta que abastecia o comercio em Tete.

Amou aquela terra onde já conhecia todos e tinha bastantes amigos, fosse nas cantinas das estradas para o Mufa onde havia sempre à espera a fresquinha  cerveja enquanto conversava com os donos , fosse nas gentes locais que sempre prontos o ajudavam atravessar a velha ponte de madeira quando a chuva enchia o rio "chimadzi". 

A velha carrinha Ford nunca o deixou apeado, dizia-se mesmo que ela já sabia ir e vir ter a casa sozinha tal os anos que a possuia e fazia aqueles caminhos.

A Machamba* era junto ao rio, onde um motor puxava a agua para a rega das culturas.

Também  naquele imenso areal se passava bom tempos em banhos "a medo" dos jacarés ou estendido ao sol mais que não fosse para "curar" alguma coisa .



 Ficou famoso pelos belos petiscos que ao domingo fazia, numa panela assente em pedras onde debaixo crepitava o fogo.


Fosse pelos amigalhaços que apareciam chamados pelo cheiro do bom petisco fosse pelo passeio,era raro o domingo que aquela estrada da entrada não estivesse cheia de carros.

As caçadas que fazia noite fora ,às feras que lhe atacavam o gado pela calada, ou jacarés que muitas vezes faziam vitimas humanas, eram famosas.

Depois, havia que exibi las em fotografias que mais tarde recordava, como é agora o caso.

Claro no meio de tudo isto lá aparecia uma “goma” ou uma “gazela” que alimentava quem o rodeava, e ainda dava para levar para casa onde belos bifes eram confeccionados, ou o petisco nesse dia era esse mesmo.
Pic nic em Boroma

Uma vida trabalhosa mas gostosa, dava-lhe prazer aqueles fins de semana quando regressava a casa com a velha carrinha Ford onde o tabuleiro com as alfaces vinha colocado no tejadilho da mesma e na carroceria os restantes tabuleiros com os outros frescos e fruta colhida naquele seu canto de fim de semana.

Dos meus amigos de Tete sabem bem mais de historias que eu, caso me ajudem a descreve-las neste meu blog colocarei para completar a historia de um homem que foi amigo de todos.

Que descanse em Paz da vida turbulenta que levou mas que é agradavel recordar.

(machamba -horta)
(guínhasse) - empurrasse