Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DIA DOS AVÓS


Mais um dia a lembrar os esquecidos,  que não nasceram sem família.

Hoje decretaram o dia dos avós, pode parecer mais um daqueles dias tal como o dia do amigo do gato etc etc.

Bem sei que a família não se escolhe mas nem por isso deixa de ser a nossa família, e feliz daquele que ainda os tem e que não só hoje como todos os dias os recordam.

Seja por amor, pela idade ou doença dos mesmos, para não falar no geitasso que dá ter uns avós que fique com os pequenos enquanto os pais vão trabalhar.

Acho realmente que ter avós é um privilegio do qual devemos usufruir enquanto existem.


Da parte do meu pai, já os não conheci pois faleceram há muito no Brasil no entanto da parte da minha mãe sim, conheci-os bem apesar de pela idade, por pouco tempo.




De parte de minha mãe, meu avô eram um velhinho de cabelos brancos mãos calejadas e um enorme sorriso que nos convidava a conversar horas seguidas. Chegou a ir a Tete conhecer como os filhos viviam o que o deixou muito feliz, e confuso com a tez do povo local, pois da aldeia eram todos brancos, apenas conheciam outras raças pelos livros da escola.

A minha avó mulher de armas, a idade para ela não contava desde que se pudesse mexer fazia a sua vida quotidiana e pela tarde sentava-se nas escadas de entrada da casa e reunia a pequenada em volta dela.

A lengalenga era sempre a mesma, historias inventadas às quais de ouvido bem atento e olhitos arregalados a pequenada ouvia atentamente.

Ensinava orações da igreja, contava historias bíblicas, versos de há muito como a Nau Catrineta e aos mais velhos até as rezas de quebranto etc usualmente utilizadas naquele tempo.





Depois foi a minha mãe que calhou a honra de ser avó, do primeiro neto meu filho depois minha filha e sobrinhas.

Estes são os verdadeiros porque pela vida fora criou tantos meninos que hoje lhe chamam avó com um carinho como se de facto o fosse mesmo. Não esquecem os aniversários e lhe dão um mimo que só visto.

Para quem a conheceu de entre os meus amigos bem sabem que assim foi sempre, vive comigo mais ou menos há 20 anos, claro que depois de tantos anos acabou por criar também os bisnetos que a não largam, são a companhia dela aos quase 90 anos ajudando sem querer que aquela cabecinha funcione perfeitamente.

Quando algum neto lhe não telefona nos aniversários, Natal etc fica assente na sua agenda das faltas o que acho muito bem depois de lhes ter dedicado toda a vida.

O meu pai que já Deus o levou uma doçura de pessoa, não havia ninguém que o não conhecesse e sempre de mão estendida para ajudar quem precisava.

Não era meu avô mas recordo as vezes que a minha mãe vinha de chinelo na mão atrás de mim e me escondia nos seus braços de onde , sempre vinham as palavras comuns “deixa lá a miúda”.

Os anos passam e hoje os avós sou eu e meu marido, como compreendo a paciência que herdei do passado de todos os vós da família.

Ser avó é um up grade de ser mãe, é os carinhos , as feridas que faziam nos joelhos, empurrar o baloiço, levar aos treinos da bola, enfim cuidar deles como ninguem.

Por tudo isto acho muito bem que se recorde o DIA DOS AVÓS , mais que não seja para os “distraído” que lhes passa tudo ao lado,

Benditos avós que devem ser amados , respeitados, cuidados quando envelhecem, adoecem, não os abandonarem a sua sorte, basta apenas retribuir sempre o que deles receberam em pequenos, e recordarem que um dia tambem irão pisar as calçadas da vida.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

CASAS ABANDONADAS


Escrevi em mote de brincadeira, sobre os peixes do Pavia os tais peixes pintados em esferovite embelezando o rio sem sentido algum.

Olhando para o lado contrário, basta rodar o corpo 180º casas que choram tempos passados, talvez com saudade dos donos antigos pois os actuais se é que os há abandonam-nas à sorte do tempo.

Aos poucos vão os telhados caindo, as janelas onde outrora  apreciavam o correr do rio onde as lavadeiras se debruçavam no lavar dos lençóis alvos, talvez dos senhorios que serviam, onde havia barcos movimentando-se, hoje de vidros partidos .





As sacadas de ferro forjado, talvez ainda da autoria de António Malho, onde as vizinhas desenrolavam conversas de varanda para varanda, hoje já nem os pássaros la pousam.

Enfim, casas sem alma, abandonadas ate caírem devido as madeiras podres dos telhados e no interior no chão outrora encerados e brilhantes bem como alguma escadaria que resta perigosamente a cair.

Nesta rua, e em outras ruas da cidade, há muitas casas assim e mais doí as que já foram palacetes, e hoje a era  trepadeira tomou conta dela.
 
Quase não as vê apenas o verde da invasão dessa praga as cobre totalmente assenhorando-se de tudo, onde já nem alma tem.

Não deveria haver uma lei que obrigasse os herdeiros a manterem-nas habitáveis, ou que as vendam quer seja para restaurar quer seja para deitar abaixo, sempre deixava de haver um canto para noctívagos e drogados, e ai nascer novas residências onde se oiçam as vozes das gentes e o riso das crianças.

Salvem as casas outrora lindas, construídas com tanta dificuldade pelos velhos donos para as deixarem aos filhos como herança. 

Respeitem os velhos donos que apesar de já não estarem neste mundo, gostariam  de ver os seus sacrifícios de uma vida terem valido a pena.,