Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

domingo, 25 de janeiro de 2015

MARGARIDA e os crescidos!!


Margarida a neta mais pequenina, esta a ser criada lá em casa como alias a mais velha o foi quando da mesma idade, aos cuidados da minha mãe, senhora de 87 na posse total de todas as faculdades.

Conversam o dia todo num diálogo constante dentro de um ambiente de ternura incomensurável.

Com ela de mão dada Margarida vai caminhando e aprendendo facilmente o mundo que a rodeia, conhece todos os bichos e animais quer os que rodeia lá por casa ou os que vai vendo da Televisão.

Os livrinhos de criança que já vieram da mais velha, são manuseados intensamente pelas duas, entre histórias inventadas pela minha mãe e imagens dos mesmo,  Margarida já tem um conhecimento grande de tudo.

Há refeição, que ninguém incomode pois é o momento importante onde entre uma garfada e outra as histórias fluem dentro de um espaço só delas.

Diria que são inseparáveis, apesar de ao fim do dia se despedir com dois repenicados beijinhos num até amanhã, quando regressa aos braços da mãe.

Surpreende-nos muitas vezes com frases e palavras que não estamos a espera ouvir de uma criança de tenra idade.

Numa tarde em que os termómetros marcavam uma temperatura baixa,, Margarida a menina de quase três anos troca de roupa ,no quarto para sair com o avô.

Aquecedor ligado, bufando um ar quentinho na fria tarde de Janeiro, irrequieta quer mexer nos botões e não deixo acabando por a repreender dizendo:-

Margarida, aí não se mexe!

- Porquê pergunta a pequena ( está na fase do porquê para tudo)

Porque só as pessoas crescidas o podem fazer.

- Quem são as crescidas?

O avô, a avó Augusta, o papá….

Não o avô e o papá são grandes a avó Augusta não é grande, é velhinha!

Fartei-me de rir com o raciocínio dela, porque a minha mãe está um grau acima de todos nós, o “crescidos”.

sábado, 24 de janeiro de 2015

A VIOLETTA !




Criei os meus filhos fazendo-os perceber a realidade da vida, pelo menos aquela que os não traumatizasse futuramente.

Não foi tarefa fácil pois pertenceram à nova geração dos espoliados de Africa e vinham habituados a uma vida bem diferente da que encontraram quando da chegada a Portugal.

Enquanto pequenitos, a coisa foi passando, mas quando entraram para a escola a clivagem notou-se mais que não fosse pelas roupas de marca que os coleguinhas exibiam enquanto eles usavam roupa comum muitas vezes compradas na rua Direita ou na feira semanal.

Não podíamos fazer mais pois o começo de uma vida a partir do zero num país onde havíamos caído de para quedas, rotulados de “retornado” o que de imediato as portas se fechavam, foi uma luta titânica.

A solução que encontramos foi o diálogo, à época ainda não havia as modernices de hoje e conseguíamos ter as refeições e os serões  conversando. 

Ouviam atentamente o que dizíamos e entreviam bastas vezes para esclarecerem algo que não tivessem entendido.

Nunca lhes faltou nada, os passeios, os livros de historias o cineminha, as ferias na praia e entendiam o porque de não terem uma calças de ganga LEWIS mas uma sem o dito rotulo.

E cresceram sabendo dar o valor às coisas, e a fazer contas a tudo, e a ter objectivos futuros.

Ontem ao ver a imensa fila de crianças de tenra idade, acompanhado pelos pais esperando horas a fio para irem ver a vedeta do momento “Violeta”, após terem faltado à escola e os pais ao emprego e terem pago um bilhete caro ( entre os 35€ aos 500€) dei por mim a pensar se aquilo era possível.

Um espectáculo de uma vedeta da moda infantil entendo que deslumbre as crianças, mas dai a esta loucura!

Que educação de facilitismo se esta a passar aos filhos de hoje?

Já quase descrente do modo como criei os meus filhos e como são criados hoje os filhos dos outros, tive conhecimento do seguinte.

Um pai comprou um bilhete VIP - Meet&Greet Packl (500€) á filha para o espectáculo da dita estrela mas com a condição da menina tirar positivas na escola.


Pois a menina falhou, e que fez o pai:

Pegou na filha, foi ela mesmo oferecer o bilhete a uma criança do Make-A-Wish.

E eu que estava quase a pedir perdão aos meus filhos por nunca lhes ter feito as vontades todas serenei, afinal ainda há pais a sério.