Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

sábado, 24 de janeiro de 2015

A VIOLETTA !




Criei os meus filhos fazendo-os perceber a realidade da vida, pelo menos aquela que os não traumatizasse futuramente.

Não foi tarefa fácil pois pertenceram à nova geração dos espoliados de Africa e vinham habituados a uma vida bem diferente da que encontraram quando da chegada a Portugal.

Enquanto pequenitos, a coisa foi passando, mas quando entraram para a escola a clivagem notou-se mais que não fosse pelas roupas de marca que os coleguinhas exibiam enquanto eles usavam roupa comum muitas vezes compradas na rua Direita ou na feira semanal.

Não podíamos fazer mais pois o começo de uma vida a partir do zero num país onde havíamos caído de para quedas, rotulados de “retornado” o que de imediato as portas se fechavam, foi uma luta titânica.

A solução que encontramos foi o diálogo, à época ainda não havia as modernices de hoje e conseguíamos ter as refeições e os serões  conversando. 

Ouviam atentamente o que dizíamos e entreviam bastas vezes para esclarecerem algo que não tivessem entendido.

Nunca lhes faltou nada, os passeios, os livros de historias o cineminha, as ferias na praia e entendiam o porque de não terem uma calças de ganga LEWIS mas uma sem o dito rotulo.

E cresceram sabendo dar o valor às coisas, e a fazer contas a tudo, e a ter objectivos futuros.

Ontem ao ver a imensa fila de crianças de tenra idade, acompanhado pelos pais esperando horas a fio para irem ver a vedeta do momento “Violeta”, após terem faltado à escola e os pais ao emprego e terem pago um bilhete caro ( entre os 35€ aos 500€) dei por mim a pensar se aquilo era possível.

Um espectáculo de uma vedeta da moda infantil entendo que deslumbre as crianças, mas dai a esta loucura!

Que educação de facilitismo se esta a passar aos filhos de hoje?

Já quase descrente do modo como criei os meus filhos e como são criados hoje os filhos dos outros, tive conhecimento do seguinte.

Um pai comprou um bilhete VIP - Meet&Greet Packl (500€) á filha para o espectáculo da dita estrela mas com a condição da menina tirar positivas na escola.


Pois a menina falhou, e que fez o pai:

Pegou na filha, foi ela mesmo oferecer o bilhete a uma criança do Make-A-Wish.

E eu que estava quase a pedir perdão aos meus filhos por nunca lhes ter feito as vontades todas serenei, afinal ainda há pais a sério.




domingo, 28 de dezembro de 2014

Novo ano 2015



E mais um ano está prestes acabar, não que fosse o pior mas uma ano cheio de muitas lutas para conseguir chegar a bom porto.


A vida não é como queremos mas como podemos, e para isso já estamos “catedráticos” em perder e lutar contra tudo para repor as esperanças muitas vezes já escassas.

É que perder algo por que lutamos trabalhando arduamente durante anos, em jovem é uma coisa com a nossa idade é outra.

Já as forças vão sendo poucas, e as maleitas vão aparecendo mesmo quando pensamos que “nós” nada nos chega.

Para quem veio do outro lado do atlântico há muitos anos ainda jovem, e começou tudo de novo partindo de um ponto tão básico e difícil construindo uma nova vida com o intuito de repor o que havia perdido, já a coisa não foi fácil.

Foi necessário um grande esforço e um apertar de cinto, aprender a viver sem muita coisa a que vinha habituado, a contar as moedas, a reprogramar toda uma economia dentro de nova possibilidade.

Nem vou aqui recordar esses tempos difíceis, apesar de ainda ir rebuscar algumas dicas de quando em vez quando perdemos involuntariamente aquilo que tínhamos e outros nos bloquearam.

São outros tempos que a idade já não é a mesma e as tais maleitas disso mesmo nos vão recordando.

Antes, pegávamos numa força interior que nem sei de onde possa ter vindo e partíamos para novas conquistas que nos faziam esquecer o perdido e conseguíamos.

Hoje sentados lado a lado vamos tristemente falando de tudo que passamos, perdemos e ganhamos nesta luta constante, mas já sem muitas forças para tudo repor.

Por tudo isto ainda vou tendo a esperança de um dia me deixarem ter a vida calma pela qual lutei, e a reforma decente para a qual toda a vida descontei.

É isto que espero do novo ano que vai entrar, que me deixe gozar com saúde e paz  e que possa ver meus filhos felizes e meus netos crescer.

A imagem acima, foi de um tempo muito feliz com meus filhos ainda pequenitos tirada num país já desaparecido.