Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

sábado, 12 de abril de 2014

A QUEIMADAS

 photo queimada0o4_zps9ebcea1a.jpg
imagem da internet


A noite era longa, o calor sufoca, da minha janela via-se ao longe no escuro, uma linha de fogo baixo lambendo os campos agrícolas.

Quase se vislumbrava os imensos insectos que voam por cima desse vermelho num dançar de morte acordados pelo calor numa tentativa de fuga.

Limpava tudo, as bichezas as ervas daninhas deixando uma camada de cinza que ira fertilizar a terra.

E passa tudo de sujo a limpo, num fogo que dizem perigoso mas necessário.

Não fazia mal, pois pela noite os deuses controlam tudo, afastam os animais do perigo enquanto sopram os ventos serenos até que pela madrugada entregam ao cacimbo da noite a sua extinção.

Pela manha apenas cinza ainda quente descansa sobre a terra.

E era assim, todos os anos queimam o capim dos campos, na certeza de um novo e melhor ciclo de vida.

Seguindo os usos antigos arreigados dentro do meu peito gostaria também de queimar o “restolho” que fica na vida, das ervas secas e daninhas que secam o corpo definam a alma, e que á noite esse fogo baixinho limpasse todas as maleitas, deixando pela madrugada uma esperança nova.

Porque

Hoje não sou a mulher forte

A que tudo enfrenta dia a dia

Tenho dentro de mim a alma vazia.

Procuro a força na noite escura

E nos xicuembos do meu país.

Fecho os olhos ergo os braços

Peço ao molungo que me envie

Pelo som dos seus tambores

E dos batuques da minha terra

As forças precisas para viver!

terça-feira, 1 de abril de 2014

«Lembras-te como foi?»

 photo maqescr.jpg


Repórter TVI : «Lembras-te como foi?»

Do gira discos ao telefone de discar, a TVI desafiou miúdos dos sete aos treze anos da Escola Salesiana de Santo António do Estoril a mexer no passado. O resultado foi surpreendente. Muitas destas crianças nunca tinham ouvido um disco de vinil a tocar!

Colocar a agulha no início de um LP não foi fácil. Mexer na máquina de escrever foi um enorme desafio. Colocar o papel foi uma aventura. Os rolos para as máquinas analógicas passaram a ser filmes ou pilhas para a televisão.

Ontem passou uma reportagem na TVI de título “Lembras-te como foi?” e foi com muita mágoa que a vi não pelo trabalho da jornalista mas pela ignorância total das crianças.

Bolas não estamos tão longe do tempo em que se usava um telefone uma máquina fotográfica de rolo ou um gira disco, ou mesmo uma máquina de escrever, poderão os paizinhos não ter disto em casa mas certamente os avos terão pois não foi assim há tanto tempo que se passou as "modernices" actuais, ditas eras digitais.

E se não tiverem ninguém da família ou conhecidos que as possuam, que tal perder uns tempinhos, consultando a internet ou com um livro na mão a falar de coisas uteis com as crianças.

Tudo isto é conhecimento e cultura, mas não, já nasceram numa época digital com fácil acesso ao “Tablet” ao IPhones etc. e isso basta!

Preparar uma criança para a vida não é só manda-los a escola, e dar-lhe um telemóvel. 

Todo o resto deve ser feito em casa, acompanha-los no dia-a-dia conversar com eles e educa-los.

Isso é educação e cultura ou vão deixar que cresçam pensando que o leite vem do pacote em vez da vaca, que os ovos vem em caixas em vez de ser da galinha.

Façam favor senhores pais de fazer o trabalho de casa!