Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

domingo, 7 de outubro de 2018

O CASAMENTO DA PRINCESA







Passou uma semana que casou a minha princesa, ainda nada tinha escrito sobre o evento pois fiamos num êxtase tal que demoramos acordar.

Primeiro o vestido, ficou lindo demorou mais a pregar as pérolas e a fazer o cinto, mas ficou simples e lindo, diferente de todos e assentava-lha as mil maravilha.





É justo lembrar, que alguma ajuda saiu das mão do meu marido.

As recordações para os convidados foram feitas a meias, saquinhos de alfazema com um coração a enfeitar, flores muitas flores minúsculas alindavam todas as peças. O porta alianças estava lindo



Sei que há tudo isto há à venda, mas o preço que pediam era de loucos e o prazer de ser feito por nós imenso.

Foi num restaurante que dava para o mar, o mar que ela adora talvez por ser seu confidente nas boas e nas más horas, talvez tenham uma linguagem própria que a aconselhava e lhe lavava os maus pensamentos.

Em agradecimento foi em frente a essas aguas que banham a baía de Cascais, terra onde vive há 16 anos, sozinha, que disse sim para uma vida.


Uma festinha que talvez nem se possa chamar festinha pois foi mais um jantar com familiares diretos de ambas as partes bem como com aqueles AMIGOS, sim escrevo com letra maiúscula porque são verdadeiros amigos, que sempre estiveram com ela e de que de modo algum podiam faltar.




Uma alegria total desde a cerimonia maravilhosa que foi até ao convívio com todos, sim porque afinal eram todos da família de uma maneira ou outra.

Corria o jantar alegremente quando descobriram que o Toy iria cantar na esplanada ao lado, e foram busca-lo para partilhar daquela nossa alegria, e ele foi, o que provocou uma risada imensa.


E conversou-se, vendo o mar e as luzinhas do navios lá ao longe enquanto a garotada (primos) já enturmados brincavam .

Chegou a hora de se partir o bolo que estava lindo. 


Apenas um pormenor que aqui quero deixar: Eles queriam no topo do bolo uns noivos à velha moda e não encontraram em lado algum.
Lembrou-se a minha filha de que quando casei o meu bolo tinha no cimo uns noivos, sinceramente quase a fazer 50 anos já nem me lembrava onde os tinha guardados, mas descobrimos.


Apenas as flores já amareladas foram substituídas e realmente fizeram um brilharete no bolo.

Já cansados fomos indo mas a festa durou até às 4 da manhã.
Que sejam felizes para sempre.


terça-feira, 4 de setembro de 2018

O VOO DA PRINCESA









É uma menina, linda prendada, trabalhadora, bonita, de longos cabelos dourados que lhe caía resplandecentes pelas costas.

Era os olhos de sua mãe, que de tanto lhe querer guardava como uma joia.

Encantava-me quando enrolava seus braços no pescoço e lhe dava beijos doces e amorosos.

E foi crescendo, quase deixando de ser mãe e filha para ser mãe, filha, e confidente.

Encantava-a fazer-lhe os vestidos que usava, com folhos e rendas, sapatinhos a dar com eles de peuguinhas brancas até que com a idade o deixou de fazer.

O irmão protegia de tudo, alias como ainda hoje o faz. Nesta foto ambos tem um pintainho entre mãos, adoravam os animais.

Quando ia para a escola a mãe punha-se à varanda vê-la caminhar de mochila as costas, e laçarotes no cabelo,.

Como o tempo passa num ápice entra no liceu, já a não via da varanda mas sabia que Deus a guardava nestes caminhos onde, há altura tantos perigos rodeavam os jovens, e infelizmente continua.

Quando já tantas colegas compravam roupa pelas lojas, a mãe continuava a fazer-lhe os seus vestidos que eram únicos e lindos, o que não quer dizer que de vez enquanto não se perdia com uma ou outra que gostasse, mas que sempre tinha que levar uns pontos aqui outros acolá para ficar como gostava.

E o tempo passa a princesa acaba o liceu e vem o baile de finalistas.

Voltas e voltas pelas lojas onde os vestidos de finalistas eram poucos e os que havia eram caríssimos.

Mais um vez foi das mãos de sua mãe que saiu tal vestido que iria brilhar na sua noite de despedida do liceu para a universidade.

Ao irmão mais velho que andava bem mais adiantado na universidade, comprou-se uma motoreta que lhe facilitava a deslocação conforme os horários.

Passou depois a ir de boleia com ele, e com os dois por essas estradas fora o coração ficava do tamanho de uma ervilha.

Quis Deus, talvez para a mãe aprender que os filhos também sabem voar sozinhos, ir estudar para o estrangeiro.

Levou muito tempo habituar-se a esta separação, mas confiei-a a Deus, o que não invalidou as diversas viagens que fazia para a ver.

Tornou-se uma lutadora, foi trabalhar para longe de casa onde aprendeu a ser completamente independente.


Continua no entanto a ser a menina de sua mãe que trocamos opiniões, conselhos, novidades em outras coisas que a possam ter magoado ou corrido menos bem. Por esse motivo acho o Telemóvel a maior invenção do século.

Saudades de todos nós especialmente da avó.


E vai voar novamente, deixo de ter a minha, confidente, que passávamos horas ao Telemóvel, as gargalhadas, ou contando  menos os segredos que só sabiam as estrelas. 



 Felicidades minha filha!