Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

MORREU CINE TEATRO S. TIAGO TETE







Na verdade há um tempo que pouco ou nada escrevo aqui no meu Blogue, mas apenas por estar ocupada com afazeres que são prioritários.

Hoje tenho que aqui escrever como se fosse num velho diário que tanto se usava no meu tempo, com fechadura e tudo, não fosse algum curioso ler o que nos ia na alma.

Nestes tempos modernos é o Blogue, onde não só se alivia o coração como se partilha com todos as dores e alegrias da vida.

Tudo isto para dizer que ontem o meu coração ficou triste, ao ponto de uma lágrima toldar-me a vista.

Como se diz quem não tem passado não tem futuro, e eu prezo muito de ter um passado feliz desde menina, como tal ele existe guardado na minha memoria arrumadinho, mas sempre presente.

Era eu muito jovem, quando o amor bateu à porta do meu coração e como todas nós ficamos deslumbradas com esse namoro ´muitas vezes ás escondidas, de todos por diversas razões .

Era no jardim debaixo de uma acácia vermelha que nos sentávamos de mão dadas muitas vezes num silencio que tudo dizia.

Ao domingo era no escurinho do cinema que às escondidas arranjávamos maneira de passar o filme de mão dadas, muitas vezes ombros encostados e olhos perdidos num no outro em completo silencio, assim ninguém desconfiava.

Como me recordo dessas matinés onde nem o ar condicionado nos arrefecia.

As idas ao café Dominó ao fim da tarde sentados frente a frente , deixando que a bebida acabasse por ser esquecida.

Tantas palavras tontas, mas cheias de muito significado que nos punha o coração do tamanho de uma ervilha.

Passaram anos e casei com o mesmo malandrote que durante muito tempo foi cúmplice de tudo.

Assim a minha vida de casada teve um começo, um local uma historia que nunca esqueci.

Há uns anos fui de viagem aquelas terras onde nasci e nunca esqueci, comigo ia a minha filha já crescida e licenciada.

Mostrei-lhe o colégio onde tanta saudade deixou na juventude ali vivida e já com intenção fui ao cine teatro S. Tiago onde a minha historia de amor começou

Em frente a ele já de portas entaipado e escadas todas partidas, aquelas escadas de mármore, como era possível.


Fechei os olhos por momentos em frente dele e num ápice passei na minha memoria toda a minha historia ali vivida desde a sua inauguração.

Senti uma paz interior que me fez aflorar um sorriso de felicidade.
Todo o filme do passado feliz estava ali ao meu lado, quase via a goma a espera de tabaco que a tropa lhe dava e a fila para comprar os bilhetes para a sessão que estava em cartaz ao funcionário do outro lado do guichet , o amigo Luís.

Acordei rapidamente com o barulho dos passos de uma velhinha que ia a passar, quando avancei para ver o Dominó completamente abandonado, e fiquei com a esperança que um dia alguém o reconstruisse para uso da juventude tetense uma vez que por interesses económico já haviam deitado abaixo o Kudeca.

Fui sabendo sempre noticias daquela terra, até que ontem me enviaram um vídeo onde todo meu sonho ardia.

Acabou o S. Tiago o Dominó etc, chegaram-lhe o fogo talvez , ficou tudo em cinzas.

Senti uma dor infinita no meu peito, morreu o Cine teatro e o café que deixou tantas recordações às gentes que amam aquela terra.

Ficou apenas na minha historia de vida, a as boas recordações.



segunda-feira, 16 de julho de 2018

Rendas e afins



Rendas e afins



HISTÓRIA DA RENASCENÇA!

A renda Renascença é uma técnica que teve sua origem na cidade de Veneza-na Itália , em meados do séc. XVI Sua chegada ao Brasil se deve as freiras missionárias europeias... A Renascença chegou a Poção na década de 30 , pelas mãos de uma senhora chamada Maria pastora... Acabou se tornando a principal fonte de renda daquela cidade... Um bom exemplo disso, é a história de Marina Jorge Souza, que passou para seus filhos além da técnica das rendas , a importância do respeito ao próximo e o amor a esta ARTE que faz parte da família JORGE SOUZA. Motivada por sentimentos como os da sua mãe, Maria José Jorge de Souza- Zezé - passa a arte da Renascença a todos que a procuram ; promovendo cursos. 

Não sei se foi assim mesmo como descreve este paragrafo retirado da Internet mas recorda-me os trabalhos que fui “herdando” das minhas trisavós, que certamente as noites à lareira ou nos tempos livres sentadas na soleira da porta de casa, iam passando o tempo dando ao dedo quando o frio não apertava e obrigatoriamente teriam que mudar para a lã ser tricotada após tantas voltas dar quando do tempo da tosquia.

Gerações depois, anos mesmo recordo o tempo em que no exame da quarta classe obrigatoriamente tínhamos que saber coser um botão, fazer um caseado , cozer uma bainha e um fio de croché. Tudo apresentado num pedaço de tecido que nos era distribuído como se fosse uma folha de exame normal.


Fui aprendendo aos poucos com erros ou sem eles pois a saudosa Irmã Doroteia quando dava conta fazia-nos desmanchar e refazer tudo de novo.

Descobri mais tarde que era um excelente tranquilizando para quem tivesse problemas de nervos ou ansiedade e quando assim me sentia ia buscar o cesto que eu chamava dos milagres e passado umas horas, deixava de haver aqueles tentamentos negativos que a nada nos leva, e apenas passava a existir o olhar atento para o esquema da revista que ao tempo se comprava a um custo irrisório.

Ora desde que me reformei como todas sabem ,apesar de ter netas e mãe para cuidar deixei de ter a mesma vida rotineira que tinha e fui pegando na velha agulha de crochet nas tardes longas que tenho, e fui fazendo alguns
trabalhos que entretanto aparecerem nas revistas novas.
Ora qual não é o meu espanto quando me dizem que já se não usam naperons nem rendas em lado algum.

Experimentei retirar de uma das divisões da minha casa todos que lá tinha.
Olhei para a sala e sinceramente parecia uma casa despida, sem alma, toda nua pois até as minhas cortinas tem renda retirei.
Ora esta moda para mim não pega, e mais me envaidece passar as minhas tardes, entretida com as coisas ,lindas que vou fazendo.

Agora já entendo porque quando em Viseu há a feira das velharias e até mesmo na de terça feira, aparecem montes de rendas, inclusive em roupa interior usada no muito antigamente.

E colchas, que levam um tampão a fazer e ficam caríssimas nas linhas, por lá se encontra no monte misturadas com outras rendas antigas e modernas, de qualquer maneira abandonadas.

Mais uma arte que desapareceu e tão linda, que muita gente utiliza para enquadrar e pendura-los em casa.

Afinal ainda valem alguma coisa sem as deitarem fora, uma arte portuguesa imitada pelos chineses.