Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

domingo, 6 de outubro de 2013

O ASSOBIO.

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Domingo,  diferenciado pelo dia de descanso, da missa dominical, das tardes no café na jogatina ou apenas deitando conversa fora.

Esta manhã, reparei num individuo, aperaltado de camisa lavada cabelo bem penteado, de mãos nos bolsos caminhando para a missa.

Assobiava pelo caminho, uma qualquer melodia mas de cara alegre e olhos brilhantes transmitindo uma felicidade enorme, la ia feliz acompanhando os passos com o assobio.

Sorri pois já há muito não via alguém de ar sereno assobiando á vida num hino de alegria.

O assobio era das coisas que se aprendia de menino, poucos eram o que não sabiam faze-lo.

Ou como instrumento de musical, ou como meio de chamamento ou até elogio a quem passava. 

O sopro afinado a encher as ruas misturando-se com os barulhos da cidade, destaca-se pela sua melodia.

Era diferenciado das mais inúmeras maneiras de se ouvir, uns mais trabalhados outros imitando o piar dos pássaros, outros de sons combinados.

Todos sabiam assobiar, e neste contexto recordo muito da minha vida.

Os namoricos que na calada da noite resolviam chamar atenção, ouvia-se o silvo especial que fazia a pessoa a quem era dirigido, de imediato assomar a janela a perscrutar na escuridão da noite a silhueta da pessoa amada.

Meu pai que era de poucas palavras, nunca falava alto, para nos chamar usava o assobio, um num som bem especial que conhecíamos á légua.

Quando o ouvíssemos era de imediato que aparecíamos, e nos bailes quando a hora de regressar chegava, era um tocar a recolher sem dizer palavra.

O assobio, esse modo de comunicar antigo que com o tempo foi esquecido.

Talvez mesmo já nem apeteça assobiar, porque este acto vinha do fundo da alma, transmitia  o seu estado de alegria e despreocupação.

Hoje a tristeza abafou essa vontade, mais cedo ou mais tarde,a vida voltará a ser tal como o canto de uma ave, leve, breve, suave.


sábado, 5 de outubro de 2013

Tenho o estomago embrulhado..

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Tenho o estomago embrulhado, assim se diz por aqui quando há uma má disposição o que me acontece hoje.

Não querendo ferir susceptibilidades, chegou a hora de dizer o que talvez não deveria para não magoar ninguém.

Tenho visto por aí, uma luta titânica a favor de todos os animais, e para o homem quase passam despercebidas. 

Falo como é óbvio das causas individuais.

É que se o ser humano estiver bem, os animais também estarão mas se invertermos a prioridades já assim não será.

E falo com conhecimento de causa. Conheci gente que se dedicava o dia inteiro a tratar e alimentar cães e gatos enquanto em casa os seus idosos eram ignorados.

Sofriam de solidão, carência de alimentação, doenças etc. que num desabafo diziam:
·       
        Se eu fosse um cão…!

Estamos todos nesta sociedade de gente na miséria, idosos e crianças maltratados

Mas dedicam-se de corpo e alma aos animais.

Que mundo é este?

Da miséria a que este país está votado e cada vez mais, também há fome de aprender.

Da fome do saber, da cultura a que poucos se dedicam.

Ora bem, hoje ao abrir a minha página do facebook deparei com o apelo singelo de uma avó que pede a quem possa ajudar, que faculte livros escolares para o seu neto.

Das gentes de boa vontade e que gostam de ajudar, ninguém nunca teve a ideia de, para os bairros carenciados, fazer um peditório de livros e material escolar para os meninos que deixam de ir a escola pelas razões expostas por esta avó?

E nas juntas de freguesia, não haveria lugar para os receber e ter em deposito e servir a quem precisa-se, todos os anos, ou  só serve em tempo de eleições?


Afinal livros escolares e não só, todos têm em casa a sobrar.

Talvez não continuássemos a ser um país de iletrados, de crianças na rua, marginais que serão amanhã os adultos deste Portugal.


Olhe mais a cima que muitos e oxalá assim seja sempre!