Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

domingo, 15 de setembro de 2013

FROM: TETE FQTT TO: BEIRA FQBR



Encontrei este vídeo sobrevoando Tete.

Recordo o ano de 1070 em que de quando em vez íamos passar o fim de semana a Salisbúria, capital da antiga Rhodesia.

Combinávamos com alguma antecedência, contactávamos o Jorge Guerra e sábado de manhã  partíamos para a capital, logo cedo e domingo a tarde regressávamos.

Deste vídeo fica a imagem da minha terra do ar, do imponente Zambeze das paisagens caracteristícas de Africa.

Aterravamos no aeroporto de Salisbury e logo tínhamos o táxi para o centro da cidade.
Era um banho de civilização, um corre-corre pelas lojas da cidade, OK Bazar, Macys´s, Man´s etc., na First street de ponta a ponta, a Manica Road etc.

Um vislumbre de coisas lindas, e acabávamos sentadas no jardim lambendo um “sorvete” enquanto descansávamos da correria.

Circulava pelo jardim gente linda, senhoras de idade vestidas de rosa ou azul clarinho de lindos chapéus na cabeça, os cavalheiros de calção e balalaica com meias até aos joelhos num estilo impecável colonial, ao fundo num campo de jogos os idosos jogam uma partida de Bowling, um cenário idílico.

Á noite ficava num hotel na First Street, e dava gozo ver as ruas com mil luzes acesas.

A paixão foi crescendo até que fui e fiquei.

Ali nasceram os meus filhos, ali vivi os melhores anos da minha vida.

Muitos que nos visitavam, tinha uma porta aberta para todos nos momentos de pressão política em moçambique e com alegria todos recebi.

Conhecia a cidade de ponta a ponta, tinha amigos, muitos que nos apoiaram sempre no princípio.

Perto de mim, o Bicas Figueiredo, a Família Simas, Os Borges (da Soel), etc. gente de Tete que se mudaram pela força das circunstâncias e continuamos de mão dadas.

Os fins de semana juntos em almoçaradas até escurecer uma contínua amizade que perdura por todos estes anos.


Trabalhei no colégio português agregado á embaixada, como professora, meu marido como bancario no Rhobank.

Uma vida calma organizada rodeada de progresso e futuro.


Até que a instabilidade política chegou também aquele país maravilhoso e tivemos que partir!


Que saudades desse tempo!

Estragaram o meu sonho e de muitos Rhodesiamos!

sábado, 14 de setembro de 2013

Roda dos exposto



Há uns anos de visita a Ucanha, concelho de Tarouca onde corre o Rio Varosa, sob a qual se encontra, a ponte de Ucanha, de origem romana, e a torre edificada com 3 andares que por debaixo deixou um arco abobadado que dava entrada a vila.

Construção do séc. XII encontra-se em excelente estado de conservação o que convida a visitar, além da excelente paisagem que a rodeia.

Para visitar, temos que procurar a “tia Maria” senhora já de idade avançada, fiel guardião das chaves do monumento e de tanta vez abrir a porta vai servindo de cicerone qual guia turística descrevendo ao pormenor as origens e a história do local, muito á sua maneira.

Quando já nos retirávamos fez questão de nos mostrar uma casa com uma janela diferente, tinha “a roda dos expostos”.

Apesar de saber que existiam, jamais havia visto alguma, então explicava ela:

  •         Sabe menina naquele tempo quando uma rapariga se portava mal era apontada por toda a aldeia e caía em desgraça, então era aqui que escondiam as vergonhas deixando os filhos sem ninguém saber, ao cuidado da misericórdia.


Depois da notícia ontem, que um bebé recém-nascido foi encontrado numa paragem de autocarro, questiono se não seria preferível acionarem novamente estes “engenhos”.

Tanta criança abandonada, talvez por esta razão ou pela miséria de vida que tem em casa, quero crer que isto é um acto de coragem,  para que alguém os não deixe morrer à mingua como aconteceria se com as mães ficassem.

Não sei, mas na verdade deve ser uma dor enorme ter que abandonar um ser que carregamos no ventre 9 meses,  tê-lo nos braços, sem futuro para lhe dar escolher abandona-los à sorte.

Não aceito em pleno século XXI   ainda se mistura a historia com a realidade.