Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

domingo, 1 de setembro de 2013

Bateu forte a saudade

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Placa no Forte em Tete


Hoje bateu forte a saudade, além de que fiquei muito feliz reconhecer mais uma vez que Tete deixou profundas marcas nas gentes mais antiga e nos mais jovens.

É que esta manha ao aceder ao facebook dei com uma data de fotografias imensamente comentadas por gente jovem, aquela geração depois da minha que vieram de Moçambique ainda meninas/os e que tão presente tem as recordações dos tempos ali vividos.

E lembraram locais, episódios de vida, amizades antigas, professoras, colegas etc.

Estou realmente emocionada porque todos me dizem que devo ser a única saudosista dum país que nos deixou partir quase sem nada, deixando o fruto de trabalho de tantos anos dos nossos pais, e chegando a esta terra e ter que recomeçar do nada.

Deveríamos ter ódio não é?

Mas não, uma profunda ligação nos une aquelas terras aos seus cheiros as frutas aos locais onde passamos grande parte da nossa juventude e as gentes que são do melhor que há.

O que se passou foi uma situação de uma tremenda repressão durante séculos, que estoirou mal, bem entendido, mas tinha que ser devem reconhece-lo, acabando por pagarmos todos.

Quem não reconhece muitas situações indiscritíveis passadas com aquele povo?

Estou já há mais anos em Portugal que aqueles que lá vivi apesar de ali ter nascido no entanto um todo me liga aquela terra.

Só assim se entende que passados tantos anos ainda se encha uma sala quando chega o dia do almoço dos Tetenses.

Não há doutores, nem engenheiros nem machambeiros nem pedreiros, mas pessoas com uma coração batendo em uníssono por uma amizade que jamais morrerá.

Ali somo apenas Tetenses, aquele que nas memórias tem sempre uma história para contar que nos interliga todos, de tal modo que a passam aos nossos herdeiros o que muito me apraz ver tantas presenças de filhos e netos que apenas ouviram falar dum país maravilhoso que fez todos felizes.
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Deixo mais uma recordação que talvez muitos já nem se lembrem !


A todos aqueles que nos trazem notícias da nossa terra o meu agradecimento.


Façam favor de ser felizes.!






sábado, 31 de agosto de 2013

AFRICA-E era assim!

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AFRICA- Acordo recomposta de uma noite agitada como foi o baile do Sporting, não me recordo a que propósito mas, foi animada como aliás sempre eram.

As 7 horas já o sol aquecia o que convidava á moleza e a um caminhar muito lento até a mesa do matabicho, onde me esperava um suculento bife com batatas fritas, ovo a cavalo, e meia papaia arranjada e açucarada.

Vagarosamente devorava tudo enquanto como olhar perdido na rua olhando nada e ninguém, deixando que o tempo passasse.

Tomo um duche rápido, e saio no Datsun que meu pai havia comprado havia pouco tempo  na Megaza.

Passo pela avenida, pela rua do Gouveia da Rocha, Farmácia Tete, desço á Cotur para a rua do Rego passando pelo Karamchand, Finanças, e viro á rua do Governo Civil.

Não se passa nada Tete parece que dorme talvez por ser domingo apenas alguns muanas sentados aqui e ali e poucos carros.

No café Zambeze uns quantos senhores tomam o café como sempre fazem diariamente.

Á Pendary Sousa e sigo a esquerda, ao fundo á porta do Sporting ainda com vestígios da noite anterior confettis e serpentinas, espelhados pelo chão.

Mais adiante já o movimento se nota á porta da igreja onde decorre a missa dominical.
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Não vou, não é meu hábito e o calor continua apertar, viro á “mãe de Agua” e paro junto ao jardim do rio.

As acácias e o relvado convidam a parar e apanhar o fresco.

Oiço na radio as musicas da época, Roberto Carlos, Nelson Ned etc. no rio pequenas embarcações de pescadores regressam a terra, pela ponte o movimento é normal.

As horas passam o calor aperta, ligo o carro e procuro refugio no ar condicionado de casa.
Vou seringando por ali até á hora do almoço.

Um belo pende grelhado acompanhado de uma fresca Coca-Cola, terminando numa qualquer sobremesa fresca completam a refeição.

A sesta após o almoço era sagrada pelo menos até a hora da matiné.

Já havia reservado os bilhetes pela manhã, com o Luis Ferreira que estava na bilheteira ao serviço antes do filme indiano que começara as 10h00.

Não importava o filme que seria, era um hábito arreigado o da matiné ao domingo dava para encontrar os amigos antes e depois da seção, bem ali ao lado no café Dominó.

E perdurava até ao último minuto do início do filme e á saída ficava-se pelas escadas “lavando as vistas” de tanta gente linda ou sentados na esplanada em frente a um prato de amendoins ou tremoços com uma bebida gelada, “partindo cascalho” como diria um bom amigo
.
Completava o dia o bem-estar e a boa disposição de todos, regressava-se a casa e jantava-se, findo este era nos bancos da frente do jardim que por ali ficávamos conversando até altas horas ou até que os mosquitos deixassem.

Deitávamo-nos cedo mas felizes, outro dia viria num “Ram Ram” que nunca cansou.