Que meus filhos e netas recordem o meu amor pela escrita! Afinal as histórias são feitas para serem partilhadas. Só assim elas se propagam e se perpetuam...

quarta-feira, 20 de março de 2019

MOCAMBIQUE HOJE

MOÇAMBIQUE






Hoje é o dia da Felicidade , dizem os entendidos, no entanto não comungo desta opinião.

Nem eu e certamente muito dos que tem no peito um coração e não uma pedra.

A felicidade não é apenas e só o sentimento que a devem do amor a um companheiro ou a coisas pessoais, é uma estado de espírito que abrange toda uma vida.

Pessoalmente todos os dias agradeço a Deus a família que tenho, o meu marido os meus filhos seus conjugues e netos. Pois sou uma feliz arda com a minha gente, adoro-os e mais não quero que o amor que nos une a todos, bem como o pão nosso de cada dia.

Mas a felicidade no meu coração não é apenas isto, abrange muito mais e por isso hoje não estou feliz.

Como posso estar feliz perante a desgraça dos outros?

Não não estou feliz mas sim muito TRISTE.


Como uma pessoa se pode sentir feliz no dia de hoje quando os meus irmãos de Moçambique sofrem atrozmente com a tempestade que assolou o país?



Pensem bem, quem nasceu como eu em terras de África onde, ai sim, fui imensamente feliz onde comprovei 30 anos após ter deixado a minha terra, pode sentir-se feliz nos dias de hoje?

Eu brinquei com eles, andei na escola, sentei-me a roda da fogueira onde a panela do feijão fervia em cima de quatro pedras, embalei bebés recém-nascidos no meu colo, ensinei a ler os moanas filhos do cozinheiro, eram meus irmãos.

Tenho o privilegio de ter amigos que me foram informando diariamente das situação dessas gentes, partilhei algumas fotos com os amigos e informações que ia recebendo.

Milhares de pessoas sem teto à chuva e ao frio com os filhos nos braços e cima de árvores e nos telhados das casas vendo as aguas a subir e apenas eles e Deus?

Como me sinto feliz se soube que dezenas de bebes morreram nos berçários e muitas mães internadas para parir os seus filhos, acabaram por morrer também com a tempestade e as aguas inundando tudo?

E as palhotas(casas rudimentares em África) que em situação normal acolhia uma família durante anos e foram levadas pelo temporal como folhas de papel?






Meu Deus o sofrimento desta gente sem tecto sem comida sem local seguro que os salve?

É caso para dizer, e as crianças senhor, porque lhes dás tanta dor?

A cidade da Beira, que era linda com umas praias fantásticas que recordo de tantas vezes lá ir, está completamente destruída, foram os telhados, as estruturas de pavilhões as árvores tudo do avesso?

E a chuva continua, sem dó nem piedade e as gentes desprotegidas as crianças à fome , sede e frio porque não tem ligações a parte alguma.

As «machambas» lindas, prestes a dar o milho, tudo destruído.

Aquela zona era o celeiro de Moçambique.

Penso nos tempos próximos, a fome espreita e certamente a cólera a malária e outras doenças comuns a situações destas, chegarão.

Que Deus olhe por estas gente que tanto precisam dele.
Se fosse mais perto, lá estaria a ajudar aquela gente, mas espero sinceramente que tudo que dão para estas gentes lhes cheguem às mãos que bem precisam.

Que Deus castigue aqueles que desviem qualquer bem em proveito próprio ou deixem em armazém apodrecendo tudo aquilo que poderá agasalhar ou matar a fome a uma pessoa.








segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

RECORDAR O PASSADO





Faz um frio que convida a estar dentro de casa, remexendo memórias guardadas mas não esquecidas

É mexendo em gavetas e caixas antigas que nos vem às mãos recordações de uma vida vivida umas vezes difícil outras nem tanto.

São tantas as lembranças que boas ou más gosto de as recordar.

Remexendo papeis guardados encontrei duas folhas de agenda escritas pela minha filha com a idade de 8 anos.

Ainda uma pequenita mas sempre com uma vontade enorme de tudo aprender, e neste caso era sentada na banca enquanto cozinhava as refeições.

Um dia não se sentou na banca mas encostou-se de caneta na mão fazendo mil perguntas e olhando o que fazia foi escrevendo, uma duas folhas e mais.

Perguntei depois o que estava escrevendo e mostrou-me, achei uma graça imensa e deixei que ela continuasse a escrever a sua curiosidade ou seja o que ia vendo.

Fui deixando que ela participasse mais activamente na cozinha, como quando fazia rissóis, que ela passava por ovo e meu filho pelo pão ralado.

Assim os tinha ali perto de mim sem andar na rua sabe Deus a fazer o quê.

No Inverno de lareira acesa espetavam maçãs num espeto de ferro que meu pai havia feito para os churrascos. Colocavam junto as brasas e assavam,maçãs que seria o seu lanche.

Assim envolviam-se entre os TCP e a vida quotidiana da casa, o que lhes veio depois ajudar num futuro.

Mas voltando à minha filha encontrei como já havia dito, as folhinha que acima divulgo, uma receita da sopa e como fazer um refogado.

Acredito que a escrita das receitas por ela um dia lhe serviriam de ajuda e aconteceu.

Eu e o pai trabalhávamos longe, até chegar a casa já eles tinham adiantado o jantar, colocavam uma panela ao fogo o que ajudava no jantar logo que chegasse.

Já crescida foi para Barcelona estudar na universidade, um primeiro afastamento que nós mães a separação nos turva o pensamento, e portou-se muito bem .

Estava num apartamento com mais duas colegas.

Nunca ficou sem comer, aplicou todos os conhecimentos fazendo-se uma dona de casa fantástica.

Fizeram vários amigos de outros países, e algumas vezes batiam à porta de saco na mão com frango ou outra coisa qualquer pedido que ela o fizesse no forno. Uma convivência saudável, umas amizades que ficaram para toda a vida.

Nada disto teria acontecido se não a tivesse tido junto a mim ensinando-lhe o muito que hoje sabe.

Uma menina que soube entrar na vida sabendo tudo que pertence a uma mulher fazer em casa, até costurar.

Apesar de muitas revés na minha vida, o meu núcleo familiar nunca foi descurado.

Hoje tenho uma ligação fantástica com os meus filhos apesar de já terem as suas vidas independente.

Um amor incondicional. Obrigada meu Deus.




terça-feira, 18 de dezembro de 2018

CONTO DE NATAL- O Sino







Através da vidraça da minha janela, vejo um mar de gente numa azafama de compras de Natal.

O tempo está chuvoso o frio faz-se sentir tal como o nevoeiro que molham as roupas que os tenta agasalhar.

Dou comigo a pensar noutros Natais, aqueles de antigamente quando ainda era criança, numa cenário absolutamente diferente, até na temperatura que nos fazia recolher à penumbra do interior de casa procurando salvaguardar-nos da canícula da rua.

O Natal era a festa da família e das crianças. Os brinquedos era o mais procurado para ofertar, pois estes dias eram de paz alegria e sobretudo das crianças.

Na árvore de Natal (qualquer uma que meu pai achasse mais bonita) enfeitada com estrelas e outras figuras perfeitamente recortadas das folhas de prata que envolviam os cigarros, e bombons.

Era linda naquele tempo, mas nós as crianças era para a lata que a segurava o local onde o Pai Natal iria deixar os presentes.

Havia lá em casa um sino pequeno de cabo preto e campânula prateada que servia para duas épocas apenas, o Natal e a Páscoa.


No natal as crianças deitavam-se à mesma hora dos dias normais mas por vezes a excitação era tal que andávamos pela casa de pijama, espreitando silenciosamente para a janela e para debaixo da árvore de natal não fosse o pai natal já ter passado sem darmos conta.

Éramos sempre apanhadas e de seguida nos metiam na cama novamente porque o pai natal só passaria se os meninos fossem bem comportados e estivessem a dormir.

Ele estava muito ocupado a distribuir os brinquedos por tantos meninos e não se saberia a que horas passaria mas a rena que o acompanhava trazia no pescoço uma fita vermelha onde pendia um sino que tocava quando andasse por ali.

Perante esta conversa lá íamos para a cama onde acabaríamos por adormecer mas muitas vezes só depois de ouvirmos o sino.

Ora meu pai aquietava-nos porque ia para fora e tocava ele mesmo o nosso sino de que já falei anteriormente.

Depois disso já convictos que estaria perto o Pai Natal dormíamos rápido para que o amanhecer não tardasse.

Pela manhã corríamos abrir as caixas e embrulhos onde constava o nosso nome e ficávamos eufóricas com o que nos haviam destinado.

Depois era deixar tudo no mesmo lugar porque a missa nesse dia era sagrada.

Mais tarde já crescidinhas a brincadeira mudou e passou a ser um dos progenitores vestido de pai natal que nessa noite batia à porta, e ali deixava os brinquedos.

A vizinhança alinhava nesta brincadeira era numa época de Natal de família, onde  na mesa , em cima da toalha bordada ou de renda vinda do Malawi se expunha os bolos, o arroz doce, os pudins os bolinhos secos, as carnes grelhadas, as chamussas etc que faziam a delicias de todos de casa e dos que nesse dia nos visitavam desejando as Boas Festa.

As prendas dos adultos era verem a familia e especial as crianças felizes.


Por curiosidade e referindo o tal sino que tínhamos mas desapareceu com as mudanças que todos nos vimos obrigados.

O sino que hoje paira nas recordações da minha infância, também era utilizado na Pascoa, pondo todos alerta para a chegada do padre para a visita Pascal.

Tocávamos e escondiamo-nos logo que víamos a porta da sala abrir.

Não era o padre na sua visita Pascal mas apenas nós na brincadeira.


FELIZ NATAL 2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

É PARA ESQUECER !








Não quero esquecer a minha terra, a pequena cidade dum país maravilhoso onde nasci, brinquei, andei na escola com os meninos negros, e nunca vi  racismo.

Nasci em Tete após meus pais já há´muito viverem em África, alias meu pai desde os 9 anos e minha mãe desde que casou com ele era ainda menina e moça.

Recordo varias cidades onde havia paz, onde se misturavam as meninas para passear, ir à matine ao domingo a tarde, assentar-nos no muro do jardim da alfandega debaixo das lindas acácias floridas ou nas escadas que se encontravam a um canto do muro que dava para o rio.

Quantos namoricos aquela mãe de agua escondeu de quem passava na rua durante o passeio dos tristes.

Trinta anos depois de ter sido obrigada a sair desta terra calma e linda, quente onde o inverno se confundia com o verão, visitei-a, aliás como muitos dos meus amigos que ficaram com o carimbo de África no coração.

Desci do avião, no mesmo campo onde pousou meu filho pela primeira vez que andou de avião, onde chegavam aos magotes gente com a esperança de um futuro melhor.

Eram todos bem recebidos, as vizinhas logo se apressavam a convida-los para um chá com um belíssimo bolo acompanhar.

Quando o avião se fez à pista já eu da janela via a cidade com uma alegria desmesurada até que aterrou numa pista de terra, como sempre fora e ao por o pé no chão, aquele chão bendito que Deus me dera como privilegio lá nascer, deu-me vontade de o beijar.

E volta os mesmos embondeiros, a mesma paisagem e por sinal na gare as mesmas pessoas que deixei como se do dia anterior fosse.

Fui recebida com uma amizade de irmãos, fiquei em casa de amigos que tudo fizeram para que me sentisse bem. Matei saudades do peixe pende, do amendoim torrado etc.À noite na sala de visitas lá estávamos a recordar velhos tempos, como me sentia tão feliz.

Nesta viagem levei a minha filha como que para confirmar a maravilha de gente onde eu nascera e vivera até ela nascer.

O dialeto que ao ouvir ia recordando e de vez em quando aplicava.

Levaram-me a ver a cidade toda, Moatize incluído, onde logo de reconheci a casa onde havia vivido até aos meus 7 anos, a casa dos vizinhos do lado que ainda hoje mantenho contacto aqui em Portugal o filho com quem eu brincava, por de trás a casa do Sr. Cravo onde moravam com duas filhas que Graças a Deus também já as encontrei aqui em Portugal.

As casas estavam abandonadas pois iriam aumentar a procura do carvão e iriam fazer outras sei lá onde.

Era miúda mas recordei Moatize perfeitamente, bastava olhar para a “ chipanga 5,” assim de chamava a mina que erguia seus ferros como que marcando o local da extracção do carvão.

A confirmar tudo isto encontrei os filmes que meus pai fazia na altura e lá está guardo todo este passado.

Fui sempre grande defensora de Moçambique que como por cá se diz, podem tirar-nos Moçambique mas jamais sairá do nosso coração.

Esta semana dou com os olhos de uma noticia no jornal:

O rapto de um Português que já lá vivia há 8 anos, pediram o resgate que com a dificuldade de cada colega se juntaram e pagaram na esperança que o soltassem mas MATARAM-NO.

Que gente é esta?

Portugueses que estão ajudar Moçambique a recompor-se que deixam família em Portugal e acabam por regressar entre quatro tábuas.

Outro português raptado há 6 meses ainda não apareceu.

Que gente é esta que passaram de amistosos a assassinos.?

África acabou com muita pena minha, ficam as recordações de quem por lá passou, nasceu e viveu, mas apenas como se tivesse sido um sonho bom que todos nós tivemos.



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Obrigada D.ISABEL CUNHA.




O frio dá para nos recolhermos mais dentro de casa e mexer em coisas esquecidas que dorme em sossego há quase 50 anos.

Reformada há 2 anos e com outras obrigações que tenho, no calor não dá para despejar uma mala onde guardo muito do que não uso.

Mais que não fosse para arejar o que ali foi guardado na mala “demodé” diz hoje a juventude, em canfora com gueixas em madrepérola a alinda-la, comprada no Valy Ossman há muitos anos para ali colocar o enxoval que qualquer noiva levaria no dia do seu casamento.

Como hoje ninguém quer casar muito menos habituadas aprender como se borda um lençol, muito menos como se prega um botão ou se faz uma bainha, riem-se do nosso passado onde pacientemente a Irmã Doroteia nos ensinava.

Talvez fosse a vantagem de ter sido sempre educada em colégios.

Em casa ao lado da minha mãe nas tardes quentes de Africa havia sempre uma peça de roupa que precisava um pontinho e era ao lado dela que muitas vezes fazíamos e desfazíamos até estar impecavelmente feito.

Ora voltando ao inicio do que escrevi, sentei-me no cadeirão foi tirando de dentro da mala peça por peça, sendo que muitas vezes parei para relembrar as historias que guardavam.

Como muitas de vós se lembra essas malas tinham um tabuleiro onde se colocavam as minúcias que poderiam perder-se entre as peças por debaixo guardadas.

Pois logo aí encontro recordações mas não mexi nelas, fui primeiro a mala em si.

Lençóis de bainha aberta, bordados a linha de seda, feito e desfeito porque ao meu lado a Irmã Doroteia achava não estar perfeito.

Panos da louça e do pó, naperons de tecido bordado, rendas, colchas de setim etc. Lembro-me perfeitamente dos instantes que de mãos lavadas antes de iniciar qualquer trabalho e dedal no dedo. Dizia ela que “costureira sem dedal cose pouco e em mal.” Um dito popular.

Ora quando começo a mexer no tal tabuleiro, amorosamente estavam guardados dois mini naprons que me fizeram vir as lágrimas
os olhos.

Peguei neles fechei os olhos e recordando de onde haviam vindo eles.

Quando do meu casamento a determinadas pessoas fui pessoalmente entregar o convite a D.Isabel Cunha. Muitos se lembrarão de quem estou a falar.

Recebeu-me maravilhosamente conversamos imenso tempo e no meio destas conversas frente a uma chávena de chá que simpaticamente me havia oferecido, fala-se no enxoval ao que me pergunta se tinha algo de renda de Veneza.

Não, não tinha pois não era muito conhecida por aquelas terras.

Com seu sorriso nos lábios levanta-se e diz-me:
- Não tens mais, vais ter.

Digerir-se a uma gaveta e traz-me dois naperons de renda de Veneza dizendo que me haveria de dar muita sorte.

Fiquei completamente sem palavras, apenas a abracei em agradecimento às suas palavras e oferta que tirou dela para me dar e complementar o meu enxoval.

Passaram anos e nunca mais a vi mas deixou a sua marca em mim a maravilhosa vizinha que me sensibilizou e deixou a sua marca para toda a vida.

Imaginando que já tenha partido rezo-lhe uma oração de agradecimento e ouvir-me-a certamente com o mesmo sorriso que nunca esquecerei.

Obrigada D.ISABEL CUNHA.





quinta-feira, 25 de outubro de 2018

HOJE VOU ESCREVER UMA HISTORIA SEM IMAGEM



Hoje vou contar uma historia.

Era uma vez, não vou começar assim mas foi há anos, que uma cidade pequena cresceu após ter chegado aqueles que viram que ali seria o El Dourado caso investissem no local.

Na minha ótica o El Dourado já ela era mas ninguém a olhou como tal, a não ser uns indivíduos sozinhos que se aventuraram na procura de pedras preciosas e ouro.

Quase ninguém sabia a não ser os velhos residentes.

Acompanhar tudo isto o Carvão. A pedra negra extraída bem do fundo das minas, que exportavam para vários locais muitas vezes a custa da vida dos mineiros que logo pela manha se embrenhavam fosso dentro de lanterna na cabeça e uma picareta nas mão.

O gás que emanava lá no fundo e algumas derrocadas mataram muitos mineiros, mas a vida continuava e no dia seguinte lá estava a fila de gente negra continuando a sua labuta dia a dia.

Isto era dum lado de um grande rio que atravessava bem debaixo dos nossos olhos, ora mansinho ora turbulento levando consigo tudo que encontrava nas margens tais como troncos que metiam medo a quem o atravessava.

Nos primeiros tempos a travessia fazia-se em barquinhos de madeira talhada a machado , e movidos a remos, mais tarde foram substituídos por barcos a motor que ao tempo era um luxo.

Os carros atravessavam num batelão , cuja capacidade era para seis carros mas com a astucia de quem nele mandava bastas vezes iam oito.

Como ia contando apesar destas aventuras a cidade foi crescendo, foram-se instalando vários negócios lucrativos, as gentes quem ali viviam num instante triplicaram ou mais, e foram fazendo as suas casas muitas delas com dinheiros vindos da sua terra Natal , proveniente de vendas de heranças ou do pecúlio que deixaram para uma emergência.

Afinal era naquela cidade que pensavam educar seus filhos e viverem a velhice quando chegasse.

Era um povo feliz, apesar de saberem mas não acreditarem que talvez um dia teriam que a deixar.

Não, isso não acontecia só se houvesse um guerra mas impossível, o povo local era calmo, educado simpático, conviviam normalmente muitos como família. Não era o céu mas posso dizer que seria um paraíso.

Mas pela calada da noite, soube-se atravez duma rádio que transmitia dum país vizinho.

Na manha seguinte todos comentavam o golpe de estado dum país da Europa a que esta terra estava ligada pela conquista de antepassados.

O sorriso desapareceu de muitos rostos com a duvida que se instalara do futuro incerto que poderia chegar a qualquer momento.

Mas a tropa e a Pide continuavam numa corre corre que assustava. Era triste ver passar na avenida o desfile dos militares dentro de quatro tábuas, heróis numa guerra despropositada.
A cidade cai na realidade, e aos poucos foram uns acreditando que tudo ficaria na mesma apenas mudando o governo que passaria a ser local, outras chorando o fim de uma vida terem que regressar nem sabendo para onde pois grande parte nascera no pais onde se instalaram.

Infelizmente a situação piorou e tiveram mesmo que abandonar tudo que construiram numa vida e recomeçar em qualquer outro país que os recebesse.

Ao inicio os países vizinhos, ainda calmos receberam parte dos que saíram dessa cidade onde julgavam a sua terra natal.

Resumindo o que muito haveria a contar mas não valendo a pena pois não faltam testemunhos escritos por gente que passou esta má fase da vida, andar com os caixotes onde conseguiram salvar o pouco que lá cabia.

Na minha pessoa falando, encontrei novamente a paz num país a que chamavam a suíça africana, e lá coloquei o filho na escolinha, e encontrei tanto eu como meu marido excelentes empregos que nos tornaram a dar a paz que procurávamos.

Num repente certo dia a poucos metros de casa colocaram no marco do correio uma bomba.

Foi um dos maiores sustos da vida, a rua cheia de tropas e policias mandando que todos fechassem as janelas e persianas.
Apenas consegui sentar-me num maple abraçada aos filhos.

Não esperaram nada mais, dois dias depois regressávamos ao porto seguro onde tiveram que novamente recomeçar a vida com uma dificuldade imensa tendo apenas uma cama para dormir e uma pesa para comer. Um pequeno fogão de duas bocas e nada mais. 

Comia-se a moda das aldeias todos da mesma travessa, até que o primeiro vencimento chegasse e aos poucos fossem organizando a vida.

Os mais atrasados que continuaram acreditar na paz podre, esses tiveram que fugir a pé pelos matos cerrados e de mãos vazias. Não sei como após esta aventura conseguiram voltar a terra natal. A pouca família que cá tinham deu-lhes a mão enquanto não encontravam emprego o que era dificílimo pois tudo que tinha a referencia de RETORNADO, era posto de lado.

Foi um tempo que apenas fui buscar a memória hoje porque não eram passagens da vida boas de recordar, ver mães sem dar que comer aos filhos, pais que pela calada da noite se viram obrigados a roubar uma couve ou um repolho de uma qualquer horta para fazer uma sopa e matarem a fome. Estar numa fila de mão estendida para a sopa dos pobres etc.

Não vou falar nos apoios que deu o antigo IARNE que foi uma vergonha.

Passaram já muitos anos,  estas tristes historias jamais serão esquecidos mas  foi pura e simplesmente porque o mesmo ou pior que tudo anteriormente acontecido nos países anteriores esta acontecer o mesmo ou pior novamente.

Assim tendo visto nas Internet imagens horríveis do que tem feito aos brancos, a homens,crianças e mulheres, coisas horríveis e imagináveis, temo pelo futuro de todos eles,  que hoje residem na África do Sul.

Peço que pensem bem no que se passou há uns anos, que não se guardem até serem mortos, espoliados, assaltados, estuprados etc porque por ai para os brancos ACABOU.

Não me digam que não há hipótese porque não tem para onde ir, peçam ajuda aos consulados, embaixadas, tentem sair do país ou peçam ajuda como refugiados.

São novos, ainda vão a tempo de recomeçar vida, claro que como os outros não terão a vida farta que certamente hoje tem mas tudo vai ter que ser começado de novo sem a ameaça de uma arma apontada à cabeça e outras coisas mais.

Primeiro está a vida essa que Deus nos deu depois os bens. Se perder a vida não arranjam outra se for o que tem de bens aos poucos repõem tudo.

Olhem pelas crianças que estão ao vosso cuidado, e são vossos filhos.

Este mundo é grande.

Não se guardem para o fim porque vão acabar por vir sem nada ou de outro modo pior.

Esta é uma das historias tristes já iniciada há muitos anos e jamais acabará enquanto o ódio dos nativos não acabar, o que  tem acontecido pois o próprio presidente e os membros que o rodeiam, incitam o povo á violência, assaltos, morte dos brancos. 

Aos que dirijo estas palavras que as leiam e se  unam,saiam de onde estão enquanto é tempo, uma nova vida vos espera.




domingo, 21 de outubro de 2018

91 ANOS DA MÃE.









Hoje sem dúvida estou cansada, com dores na minha tendinite mas valeu a pena.

Minha mãe fez dia 18 deste mês 91 anos, apenas lhe comprei um bolinho pequeno que comemos ao jantar como sobremesa. 

Um jantar normal só nós 3 de casa pois por ser dia de trabalho tinha meus filhos em viagem e a neta no treino, mas jamais deixaria passar este dia sem que ela soprasse as velinhas.

Recebeu muitos telefonemas e no face também, dando-lhe os parabéns que ia transmitindo e seus olhos brilhavam.

Já não é normal fazer esta idade, pelo menos é raro na nova geração que tal aconteça, por isso nunca deixei passar seu aniversario sem festejar.

Ontem em surpresa aparece a família do meu filho com um lindo bolo para festejar o aniversario da avó.


Entre um arroz de pato tostando no forno e a aletria esfriando na travessa, à moda antiga, entre conversas jantou-se com imensa paz e alegria.

Ao fim do jantar entre filhos e netos mais duas amigas que trouxeram,cantando ao som dos parabéns rodeando avó, apagou as velinhas.


com o neto e bisnetas

Pronto agora estava o aniversario validado.

Feliz que estávamos que se via na cara dela um sorriso fantástico rodeada pela garotada.

Mais um ano, como anteriormente já aqui tinha contado, a listinha de quem se “esqueceu” dela, hoje actualizou-a, pois até meu irmão há anos no Canadá se não esqueceu deste dia, nem a irmã que está nos Estados Unidos.

Coisas da idade que marcam.

Parabéns minha mãe, que se repita por muitos anos.
com as bisnetas eamiguinhas

domingo, 7 de outubro de 2018

O CASAMENTO DA PRINCESA







Passou uma semana que casou a minha princesa, ainda nada tinha escrito sobre o evento pois fiamos num êxtase tal que demoramos acordar.

Primeiro o vestido, ficou lindo demorou mais a pregar as pérolas e a fazer o cinto, mas ficou simples e lindo, diferente de todos e assentava-lha as mil maravilha.





É justo lembrar, que alguma ajuda saiu das mão do meu marido.

As recordações para os convidados foram feitas a meias, saquinhos de alfazema com um coração a enfeitar, flores muitas flores minúsculas alindavam todas as peças. O porta alianças estava lindo



Sei que há tudo isto há à venda, mas o preço que pediam era de loucos e o prazer de ser feito por nós imenso.

Foi num restaurante que dava para o mar, o mar que ela adora talvez por ser seu confidente nas boas e nas más horas, talvez tenham uma linguagem própria que a aconselhava e lhe lavava os maus pensamentos.

Em agradecimento foi em frente a essas aguas que banham a baía de Cascais, terra onde vive há 16 anos, sozinha, que disse sim para uma vida.


Uma festinha que talvez nem se possa chamar festinha pois foi mais um jantar com familiares diretos de ambas as partes bem como com aqueles AMIGOS, sim escrevo com letra maiúscula porque são verdadeiros amigos, que sempre estiveram com ela e de que de modo algum podiam faltar.




Uma alegria total desde a cerimonia maravilhosa que foi até ao convívio com todos, sim porque afinal eram todos da família de uma maneira ou outra.

Corria o jantar alegremente quando descobriram que o Toy iria cantar na esplanada ao lado, e foram busca-lo para partilhar daquela nossa alegria, e ele foi, o que provocou uma risada imensa.


E conversou-se, vendo o mar e as luzinhas do navios lá ao longe enquanto a garotada (primos) já enturmados brincavam .

Chegou a hora de se partir o bolo que estava lindo. 


Apenas um pormenor que aqui quero deixar: Eles queriam no topo do bolo uns noivos à velha moda e não encontraram em lado algum.
Lembrou-se a minha filha de que quando casei o meu bolo tinha no cimo uns noivos, sinceramente quase a fazer 50 anos já nem me lembrava onde os tinha guardados, mas descobrimos.


Apenas as flores já amareladas foram substituídas e realmente fizeram um brilharete no bolo.

Já cansados fomos indo mas a festa durou até às 4 da manhã.
Que sejam felizes para sempre.